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Indie Lisboa ’09 – Dia 10 |
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Quarta, 06 Maio 2009 03:01 |
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O que constitui a identidade nacional? Tantas vezes vemos o nacionalismo exacerbado para fins tão obtusos como o futebol ou ignóbeis como a guerra, que por vezes se torna uma palavra feia, usada pela extrema-direita, e a evitar pelos demais. Heddy Honigmann, peruana residente na Holanda, regressou a Lima para tentar fazer o retrato do povo peruano após anos de políticas económicas desastrosas e de terrorismo.
O documentário segue várias pessoas, de várias classes, no seu dia-a-dia em Lima e Heddy interroga-as sobre os acontecimentos da história recente do Peru. Por vezes onírico, percorre vários estados emocionais deixando-nos mais de uma vez com lágrimas nos olhos, logo após nos ter feito rir. É um filme muito directo e não aparenta nenhuma agenda política para além da óbvia anti-capitalista, mas: qual o documentário honesto, que seja feito nestes dias, que não tome esta posição? É inevitável. (7/10) João Miranda |
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Indie Lisboa ’09 – Dia 9 |
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Segunda, 04 Maio 2009 03:04 |
De volta o fim-de-semana e as salas cheias. As duas sessões desta sexta-feira estavam esgotadas. Nem o calor, nem o fim-de-semana grande afastaram o público. Isto mostra que, se nem sempre há público no cinema, é por causa ou da qualidade dos filmes exibidos ou da necessidade de, à semelhança com o que já se faz noutros países, tentar tornar a experiência do cinema em algo diferente, para concorrer com a facilidade de se poder escolher, por metade do que se paga numa sala, nos novos sistemas de cabo, ou um qualquer blockbuster americano. Como reinventar as salas de cinema para atrair de novo o público?
Radu Jude, o realizador deste filme, trabalhou em publicidade antes de se meter no cinema e explora essa experiência nesta comédia sobre uma rapariga que ganhou um concurso de uma marca de sumos, para a qual foi convidada a fazer um anúncio. Toda a artificialidade deste mundo revela-se logo no título: “A rapariga mais feliz do mundo”, está longe de o ser, com vários elementos a contribuírem para isso, todos eles desenvolvidos de forma paralela ao longo do filme, alguns familiares, outros introduzidos pelas imposições da publicidade ou dos representantes da marca presentes na rodagem.
É um pequeno filme bem desenvolvido e com um grande sentido de humor. A representação de Andreea Bosneag, com 17 anos e sem qualquer formação de representação, mostra uma grande naturalidade e aumenta a curiosidade em vê-la noutros papéis no futuro. (6/10)
Ao contrário do anunciado nos Media, a recessão económica já se arrasta e afecta a vida de milhões de pessoas há mais tempo que o referido. "Wendy and Lucy" é a história de Wendy que, com a falta de trabalho na sua terra natal, está a caminho do Alasca, à procura de um futuro possível. Com ela leva a sua cadela Lucy, a sua companhia e amiga mais próxima. Quando, após um problema com o seu carro, a perde numa cidade pequena, Wendy faz o que pode para a encontrar. Na sua procura vai encontrar várias personagens que interagem com ela, a maior parte deles neutros, mas alguns bem-intencionados.
Parece-me que a cadela representa, no filme, a esperança da Wendy: a esperança que traz à partida, a esperança que perde quando o carro avaria e a esperança que sabe que não pode sentir no final do filme. É um filme que, apesar de não ser negativo, também não é positivo. A mensagem parece ser que há que persistir, para além de qualquer esperança. Fica a incrível representação de Michelle Williams que, já antes, em Brokeback Mountain, por exemplo, provou que era uma grande actriz. (7/10)
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Indie Lisboa ’09 – Dia 8 |
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Segunda, 04 Maio 2009 03:01 |
 Werner Herzog é mesmo um Herói Independente (nome da categoria de filmes dada no Indie para a retrospectiva de alguns realizadores): as suas produções parecem imitar as histórias de sonhos de grandeza falhados em que se baseiam. As peripécias que acontecem durante elas também já adquiriram estatuto de lendas na história do cinema, desde o relacionamento conflituoso entre Herzog e Klaus Kinski, aos problemas associados a filmar na selva amazónica.
"Aguirre" é outra dessas produções em que o resultado nos lembra o fragmento de um sonho grandioso que ficou aquém do pretendido. A história é a de um grupo de conquistadores espanhóis que, na procura do El Dorado, se rebela contra a coroa espanhola, o seu representante e quem a cobiça, e que, com todas as dificuldades da viagem, acaba por enlouquecer.
Com uma encenação precisa, Herzog compõe cenas que lembram os quadros da época, que representavam os acontecimentos e as personagens principais entrecruzadas com a loucura da interacção das personagens e da fúria da natureza e das culturas estranhas à sua volta.
As representações são atrozes. Tal como a dobragem, a história avança aos solavancos. Ainda assim, é um marco do cinema a não perder de forma alguma (7/10) João Miranda |
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Indie Lisboa ’09 – Dia 7 |
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Segunda, 04 Maio 2009 02:58 |
É inevitável que em 20 filmes escolhidos num festival de cinema independente, apareça algum que não nos diga nada. The Pleasure of Being Robbed é um desses filmes. Sem qualquer estrutura ou objectivo, o filme parece querer convencer-nos de que a personagem principal Eleonore é, para lá da sua amoralidade, alguém com algum interesse. Interesse suficiente para se basear um filme de hora e meia nela e numa meia dúzia de situações pelas quais se passa sem retirar nada delas.
Acaba por se dispersar na sua falta de narrativa, a personagem é apática e estática, torna-se como seguir a conta de twitter de uma desconhecida, com a qual acabamos por não simpatizar. O argumento do estilo de vida alternativo que ela leva como uma forma de subversão não se aplica, já que todas as suas acções são inconsequentes; como uma débil mental passa pelas situações sem aprender nada, com o cúmulo do ridículo atingido na cena em que é presa.
O cinema independente podia já ter ultrapassado esta moda tão irritante que surgiu das personagens estranhas e concentrar-se de novo nas narrativas e nas soluções criativas para ultrapassar a falta de meios e/ou limitações técnicas. Absolutamente dispensável. (2/10) João Miranda
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Indie Lisboa ’09 – Dia 6 |
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Segunda, 04 Maio 2009 02:48 |
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Crítico é um documentário que procura perceber a crítica de cinema, quer do lado de quem a faz, como do lado dos realizadores e dos actores. Com grande humor são mostradas diversas opiniões sobre uma actividade que, apesar do descrédito que costuma ter associado, faz parte da indústria do cinema.
Constituído por várias entrevistas, organizadas em secções temáticas, não procura oferecer nenhuma resposta conclusiva sobre o tema, propondo antes uma reflexão sobre o tema com vários exemplos, positivos e negativos, de crítica e de reacção. É um documento fascinante para qualquer pessoa que se interesse por cinema. (7/10) João Miranda
Yang Ik-june, o realizador deste filme, explicou no final da sessão, quando falava com o público, que o problema da violência doméstica, apesar de ter diminuído consideravelmente, era muito comum há uma dezena de anos na Coreia do Sul. O filme mostra isso mesmo, várias famílias, unidas por uma história sobre crime organizado que já vimos várias vezes, assoladas por este mal. Pessoas que morrem, ressentimentos, vinganças, a violência é aqui apresentada como um doença social contagiosa e passada entre gerações, acentuada pela pobreza e pelo contexto da criminalidade.
É um filme bastante violento, não sendo no entanto original: é até possível fazer um jogo da contagem de clichés usados, de tantos que há. No entanto está bem filmado e é um bom primeiro filme para o realizador, que é também o produtor e o actor principal. (5/10) João Miranda Não se pode dizer que a sociedade coreana é violenta. O que já podemos sem dúvida afirmar é que a violência faz parte do quotidiano desta sociedade, principalmente numa estrutura de respeito e disciplina, pois se ultrapassamos os limites com os nossos “tios”, é legitimo eles reagirem. Como tal, desde muito pequenos os jovens desta sociedade são confrontados com isso, o que conjugado com a competitividade como a grande arma da sobrevivência local, trás inúmeros problemas aos ditos “mais fracos”.
E “Breathless”, a primeira obra de Yang Ik-june, segue muito esse estigma coreano, focando-se na violência doméstica e nas razões que podem estar por trás dela. A disfuncionalidade familiar e uma ausência de amor, são clichés típicos que explicam as razões de todos os males, mas não deixam, por isso mesmo, de ser realmente o porquê.
E “Breathless”, apesar de dar a entender que é um filme focado numa temática simplista, é no fundo uma análise a um problema maior e global. O seu protagonista é uma “vítima” desse sistema, mesmo sabendo que um dia, como ele bem o diz, o tipo forte que dá sempre porrada vai encontrar alguém mais poderoso que ele.
Com os sentimentos à flor da pele, humor bem apaziguador no meio da violência inerente, e interpretações razoáveis dos seus actores, “Breathless” acaba por ser uma obra bem interessante, que de uma forma bizarra como Takeshi Miike o fez em “Visitor Q” – ainda que menos surreal e estilizado – demonstra que a violência e a tragédia podem muito bem refazer as fundações de famílias profundamente desreguladas. (7/10) Jorge Pereira
Lucky é um emigrante ilegal que trabalha nas ruas de Nova Iorque a vender falsificações de produtos de marca, em associação com o dono de uma loja, quando uma relação do passado lhe aparece inesperadamente pela frente e lhe deposita nos braços uma criança que diz ser dele.
De uma grande sensibilidade, evita as situações mais óbvias neste tipo de filmes com crianças e que se recusa a vitimizar ou glorificar as personagens que fazem parte dele, mostrando-as antes em toda a sua humanidade, a cometerem erros e a tentarem sobreviver nas condições em que se encontram, sem moralismos ou sentimentalismo fácil. Peca pela qualidade da imagem e do som, resultante da falta de meios e de um certo amadorismo, mas que acaba por se esquecer pela história e pelas personagens. (7/10) João Miranda |
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Indie Lisboa ’09 – Dia 5 |
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Quarta, 29 Abril 2009 11:24 |
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A determinado ponto neste filme pode ler-se numa sala de tribunal “La Legge é uguale per tutti”, a Lei é igual para todos, mas não o é e o filme é um exercício brilhante em mostrá-lo. Nele se conta a história de Giulio Andreotti, elemento importante da política italiana da segunda metade do século XX, e de vários crimes aos quais esteve possivelmente ligado. É um filme difícil, com uma trama densa e uma construção que não facilita a sua compreensão, mas que acaba por compensar a persistência. A imagem e o som do filme são cuidados e deixam muitos filmes norte-americanos envergonhados. Estou certo que este filme aparecerá nas salas de cinema em pouco tempo e é sem dúvida um filme a não perder (9/10) Jean-Claude Van Damme tenta reinventar-se nesta comédia onde subverte alguns dos padrões do cinema de acção e de Hollywood com um efeito cómico bastante eficiente. No entanto o filme tem, quase no final, uma cena que acaba por traí-lo e transformá-lo quase num anúncio a JCVD. Quando já, várias vezes ao longo do filme, tinha evitado cair no papel de vítima, nessa cena assume-o completamente. Ainda assim, vale a pena ver este filme pela sua desconstrução de um género bem conhecido e pelo seu humor (6/10) Após a colocação da namorada como professora numa vila do interior da Suiça, François encontra trabalho no jornal local, onde, para além de alguns acontecimentos locais, tem de fazer semanalmente a crítica do filme que é exibido no único cinema. Só que François é uma pessoa indefinida, que chegou ao ponto da vida onde está mais por inércia do que por esforço e isso reflecte-se na sua falta de opinião sobre o cinema. Após um desentendimento com a proprietária do cinema local, começa a ir a Lausanne, a cidade mais perto, aos visionamentos dos críticos onde conhece Rosa, crítica de cinema irónica e descrente de toda essa actividade que o fascina e com quem eventualmente acaba por se ver ligado. O filme é um ataque feroz não só à crítica de cinema, que desconstrói com minúcia, mas também a uma nova espécie de homem urbano que existe: amorfo, infantil e, apesar de toda a sua aparente sofisticação, ingénuo. François move-se pelo filme sempre à sombra das mulheres e das suas vontades, acreditando ainda na imagem do macho que dá significado à vida da fêmea pela sua presença e impondo-se nos momentos errados. Parece-me um filme para uma faixa etária bem delimitada (vintes, trintas) e para um público urbano, assim, não será para toda a gente. (7/10) João Miranda
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Indie Lisboa ’09 – Dia 4 |
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Quarta, 29 Abril 2009 11:18 |
Há sempre um risco quando se planeia um festival de cinema: não prestar atenção suficiente à duração de um filme e ficar com cinco minutos de intervalo entre filmes em cinemas diferentes. Isso foi o que consegui fazer hoje, ficando com cinco míseros minutos para me deslocar do Fórum Lisboa ao Alvalade. Demorei 10, mas felizmente o outro filme não começou mesmo à hora marcada, se não tinha perdido um dos melhores filmes que já vi até agora no festival. Um dos homenageados nesta edição do festival é Werner Herzog e, como tal, uma retrospectiva dos seus filmes está presente no programa. Admito desde já um quase total desconhecimento da obra deste realizador: já ouvi várias vezes mencionadas algumas das suas obras e já vi outras, mas nunca as mais conhecidas. Assim, aproveitei o festival para conhecer duas das suas obras mais famosas: Fitzcarraldo e Aguirre. Fitzcarraldo é uma das histórias mais incríveis que já vi no cinema: a loucura de um empreendimento impossível alimentado por um sonho quase absurdo, mantidos pela pessoa lunática do personagem Fitzcarraldo. Herzog é um grande encenador, conseguindo planos incríveis e de uma força poética marcante. Ainda assim, o filme não me agradou completamente: as representações são todas muito exageradas, dando a ideia de que não existe direcção de actores, que fica ainda mais acentuado com o facto de ser uma produção multinacional e a dobragem feita deixar muito a desejar; as quase duas horas e meia poderiam ser, facilmente, reduzidas para menos de duas, fazendo um filme mais coeso e fácil de ver; há artifícios usados para manter a tensão que nunca se desenrolam e acabam por haver acontecimentos por cima de acontecimentos sem um desenvolvimento satisfatório.
É uma passagem obrigatória na história do cinema, pela sua grandeza e pela sua história, apesar de todas as suas faltas. (7/10) As trabalhadoras de uma fábrica de brinquedos, depois de chegarem uma manhã e descobrirem que todas as máquinas desapareceram durante a noite, resolvem juntar o dinheiro das suas indemnizações e pagar a um assassino para matar o patrão. Não há nada de correcto nesta comédia. Mais, parece haver um plano muito específico para desfazer e ofender em todos as questões que o politicamente correcto alguma vez tenha defendido. Isto sem nunca perder de vista a história do filme e a crítica feroz ao capitalismo actual. Na minha opinião, o melhor filme que vi até agora no festival, mas o qual não deve ser muito explicado com o risco de se perder algo no factor surpresa. (8/10) João Miranda
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Indie Lisboa ’09 – Dia 3 |
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Quarta, 29 Abril 2009 02:59 |
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Apesar de ter começado a chover, as sessões deste dia foram as mais cheias em que estive neste festival. Não que as outras estivessem vazias, mas sabe sempre bem ver salas de cinema cheias e ver que há público para cinema e para festivais. Helen é uma exploração onírica da procura de identidade por parte da personagem com esse nome, quando lhe é proposto participar na reencenação das últimas horas conhecidas de Joy, uma rapariga da mesma idade que ela, que desapareceu. Enquanto a primeira é órfã, trabalha e estuda ao mesmo tempo, a segunda vive uma vida protegida com os pais e os amigos na escola. A preparar-se para a reencenação, Helen começa a aproximar-se mais da vida de Joy, do namorado, da família, à procura de uma vida que lhe escapou e tentando reinventar-se na vida que levou até aí. Na sessão de perguntas com o realizador, no final do filme, este explicou que este filme se insere num projecto comunitário, do qual resultaram várias curtas (a série “Civic Life”) também em exibição no Indie, onde trabalharam com pessoas sem experiência de actor, sem grande direcção nesse sentido, já que o foco é no “como” das situações, não no “porquê”. O filme é constituído por planos cuidados, tipo fotografia, e com travellings lentos sobre esses planos, o que contribui, com toda a contenção da personagem principal, para um ambiente contemplativo que, ainda assim, não se torna aborrecido ou cansativo. A procura de Helen resolve-se no final, ainda que não a de Joy, mas, como o próprio título indica, o filme é sobre a primeira. Faltou-me a mim, pessoalmente, uma cena final de resolução, mas se calhar estou a ser demasiado americano. (7/10)
João Miranda Outro filme sobre identidade e sobre quais os limites que existem na nossa definição da mesma. Passada no Chile de Pinochet, algum tempo depois do sucesso de “Febre de Sábado à Noite”, este filme segue a história de Raúl, na sua procura de ser reconhecido como o Tony Manero chileno e dos extremos que á capaz de atingir para chegar a esse objectivo. É um filme desagradável, em que nenhuma das personagens tem qualquer factor de redenção, onde o contexto sociopolítico determina que algumas das relações mais básicas se tornem em desvios e/ou abusos do outro. Ao contrário de Helen, não há qualquer elemento positivo na busca de identidade deste homem. Para ver com alguma caução. (6/10)[/quote]
João Miranda Não há nada de muito brilhante neste trabalho do cineasta filipino Brilhante Mendonza. Seguindo a sua veia neo-realista, ja carimbada em "Foster Child" e "Sling Shot", Mendonza apresenta a história de uma família que gere um cinema pornográfico onde são frequentes os encontros sexuais entre homens. Ainda que com uma estética interessante e fazendo lembrar um pouco o ambiente de "Goodbye, Dragon Inn" de Tsai Ming-liang, a Mendonza falta dimensão, ambiente e um verdadeiro estudo das suas personagens que elevem esta obra a um outro estatuto. No fundo, o único elemento que se destaca neste trabalho é o cinema em si, que é sem dúvida a verdadeira estrela de uma fita com mais intenções e simbolismos que realmente engenho em mostrar ou fazer sentir o que quer que seja. (3/10) Jorge Pereira |
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Indie Lisboa ’09 – Dia 2 |
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Domingo, 26 Abril 2009 18:56 |
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Primeiro de três dias com uma maratona de três filmes seleccionados. Da minha experiência pessoal, esse é o limite diário para se poder apreciar mesmo os filmes que se vêem, mais do que isso e o cansaço instala-se e começa a perder-se algo de toda a experiência. Conheci hoje a sala 3 do novo cinema Alvalade (onde já não ia há mais de vinte anos) e aviso possíveis frequentadores da sala que não é uma sala meiga para quem chega atrasado: curta e estreita, tem um bom declive, mas as primeiras filas estão abaixo e demasiado perto do ecrã, o que se pode traduzir numa experiência desagradável e até dolorosa.
Este filme independente de grande preocupação estética, perde-se na indefinição do que pretende: começa por se mostrar uma história de amor com um início original, mas tropeça a meio, de modo forçado e sem sentido nenhum na narrativa, primeiro, na tentativa do realizador mostrar que se preocupa com os problemas da urbanização de São Francisco, numa discussão que surge sem anúncio com personagens que nada têm a ver com a história que seguíamos, depois na redução do filme a um sampler de música indie, numa cena de discoteca que demora demasiado tempo. A ideia final é a de que o realizador quer-se mostrar demasiado hip e acaba por sacrificar o filme pelo seu ego. Vale pela história de amor e pela imagem. (5/10)
Ballast tem ganho vários prémios nos festivais de cinema em que tem aparecido. Infelizmente, parece-me que tem sido sobrevalorizado: a história é relativamente original, mas a forma como é explorada torna óbvios os acontecimentos antes de estes acontecerem, como se estivéssemos a jogar poker com um adversário que nos estivesse sempre a mostrar o jogo. Isso acaba por não permitir qualquer tipo de tensão ou emotividade para além das iniciais. O realizador parece tentar compensar esse facto com a falta de qualquer banda sonora, que até pode funcionar em alguns momentos, mas acaba por se tornar num ponto fraco devido ao excesso de momentos de silêncio, que acabam por dar a sensação de que o filme ainda não está completo. As personagens são outro ponto fraco do filme: não é passível de gostar de nenhuma delas, todas horríveis e sem ponto de redenção, acabamos por não nos preocuparmos muito com o futuro delas e, consecutivamente, com o fim do filme. Que acaba por não vir; mais uma ponta solta nesta peça que, com outro corte e uma banda sonora, poderia ser um grande filme. (6/10)
Mike Tyson é uma figura difícil de entender: lembro-me de crescer e, apesar de não seguir nem me interessar por boxe, ouvir falar dele, da sua vida, dos problemas com mulheres e das suas prisões. Este documentário está quase todo na primeira pessoa, baseado em diálogos do próprio Tyson e, ainda assim, não pinta um bonito retrato dele. Do que já tinha ouvido falar do filme, havia alguma polémica sobre este não investigar mais as acusações de violação que foram feitas ao longo dos anos, mas o próprio Tyson faz um trabalho exemplar em mostrar-se um predador misógino em vários momentos do filme. Mesmo não percebendo muito de boxe, o documentário faz um bom trabalho em explicar, ao mesmo tempo que conta a história de Tyson, o que tornou este pugilista no campeão mundial e até viver com alguma emoção os momentos mais altos da carreira deste. Por outro lado, mostra outras facetas da pessoa que os media não costumam mostrar, acompanhada de vários vídeos pessoais e entrevistas dadas. É um documentário bem construído, com um cuidado visual e sonoro que se traduz numa grande emotividade, mas são as próprias palavra de Tyson que mais surpreendem. (8/10)
João Miranda
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Indie Lisboa ’09 – Dia 0 |
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Sábado, 25 Abril 2009 14:10 |
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Antes de mais, admito a minha ignorância sobre o cinema: não tenho qualquer tipo de educação formal e o pouco conhecimento que tenho vem de passar (por razões pessoais e geográficas) a vida no cinema, de ouvir alguns podcasts sobre cinema (as críticas semanais de Kermode na 5Live, Filmspotting e IFCNews, entre outros) e de seguir alguns feeds de twitter (slashfilm, cinemaworld e algumas produtoras). Assim, a tarefa de escolher os 20 filmes, que um passe do indie nos proporciona, revela-se mais difícil do que seria para alguém do meio, não um mero amador. Iniciei a tarefa percorrendo a lista de todos os filmes, disponível no site do Indie ( http://www.indielisboa.com) e procurando no IMDB ( http://www.imdb.com), no YouTube e no Google toda a informação disponível sobre os mesmos, que, tendo em conta que a maioria dos filmes ainda nem sequer tem distribuição, nem sempre é muita. Ao fim de algumas horas, cheguei a uma listagem de 62 filmes que me pareceram interessantes. A tarefa seguinte foi reduzir a lista classificando o interesse despertado pela sinopse (que nem sempre é o melhor indicador), a geografia (como não tenho carro, qualquer filme no Museu do Oriente em Alcântara ficou cortado, com muitos documentários, o Ashes of Time Redux e o Tokyo Sonata eliminados por essa razão) e a conjugação possível de horários. No final de duas tardes de pesquisa, análise e algum malabarismo cheguei à lista final dos filmes que irei ver nos próximos dias, que seguem com a ordem alfabética usada no site do Indie, para facilitar a consulta: Aguirre, der Zorn Gottes de Werner Herzog (Herói Independente – Ficção) Ballast de Lance Hammer (Competição Internacional – Ficção) Cea mai fericita fata din lume (The Happiest Girl in the World) de Radu Jude (Competição Internacional – Ficção) Critico de Kleber Mendonça Filho (Director's Cut – Documentário) Ddongpari (Breathless) de YANG Ik-june (Competição Internacional – Ficção) El Olvido (Oblivion) de Heddy Honigmann (Observatório – Documentário) Fitzcarraldo de Werner Herzog (Herói Independente – Ficção) Helen de Christine Molloy e Joe Lawlor (Competição Internacional – Ficção) Il Divo de Paolo Sorrentino (Observatório – Ficção) J.C.V.D. de Mabrouk El Mechri (Director's Cut – Ficção) Louise-Michel de Benoit Delépine e Gustave Kervern (Observatório – Ficção) Medicine for Melancholy de Barry Jenkins (Cinema Emergente – Ficção) Of Time and the City de Terence Davies (Observatório – Ficção) Prince of Broadway de Sean Baker (Competição Internacional – Ficção) Sonbol de Niko Apel (Pulsar do Mundo – Documentário) The Pleasure of Being Robbed de Josh Safdie (Cinema Emergente – Ficção) Tony Manero de Pablo Larrain (Cinema Emergente – Ficção) Tyson de James Toback (Observatório – Documentário) Un autre homme (Another Man) de Lionel Baier (Director's Cut – Ficção) Wendy and Lucy de Kelly Reichardt (Cinema Emergente – Ficção) João Miranda |
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